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"... e se não conduzir!": Brincar també é uma arte

Antigamente a indústria automóvel tinha os seus “enfant terrible”, construtores que gostavam de pensar fora da caixa. Exemplo? A Citroën, que lançou o volante com apenas um raio e um carro que andava só com três rodas. Hoje está tudo mais padronizado, mais igual e já não há espaço para brincadeiras. Felizmente no mundo dos vinhos ainda não é assim. Os seus vinhos podem não ser consensuais, mas António Maçanita (até por isso) tem de estar obrigatoriamente numa shortlist dos mais criativos, trabalhadores, imaginativos e melhores enólogos portugueses. Pode parecer exagerado, mas acho que ainda não esgotei todos os adjetivos… Acrescento mais um: brincalhão! De facto António, jovem de 38 anos, não só faz bons vinhos como gosta de brincar com o nome que lhes dá. Lembro-me de “Isabela A Proibida” ou “Tinto Vulcânico” (do seu projeto Azores Wine Company), “A Touriga Vai Nua” (pujante vinho de TN sem passar pela madeira) e “Branco de Pólvora” este um regional Alentejano do projeto Fita Preta, mas que julgo a que a sua irmã Joana também está associada. Mais recentemente, também da sua empresa Fita Preta “A Trincadeira Não é Assim Tão Preta”. Em parceria com a irmã, Joana Maçanita, no projeto Irmãos e Enólogos um branco denominado “Os Canivéis”. Comecemos pelo vinho de Trincadeira Preta, casta que no Douro se chama de Tinta Amarela. É uma casta delicada porque o bago tem a película fina e frágil, sendo sensível quer à chuva (podridão), quer às temperaturas altas (transforma-se em passa). Assim a principal preocupação é colhe-la antecipando-se, na medida do possível, a qualquer um destes fenómenos. O vinho não tem uma cor muito carregada (daí o “Não é tão Preta”). Os Canivéis é um branco feito de uvas de cepas muito antigas (entre 52 e 70 anos) da região duriense de Cima Corgo. São 17 castas em que Dona Branca, Rabigato Miranda, Trincadeira Branca e Rabigato Verdelho têm alguma preponderância.

Os Caniveis Branco 2015, DOC Douro (19,90€); delicado aroma cítrico, cheio na boca, boa acidez, muita frescura e bom final longo. Acompanha bem línguas de bacalhau com grão, por exemplo, mas também é capaz de fazer bom pendent com peixes grelhados ou até com carnes brancas grelhadas. Este vinho foi estagiado parcialmente em barrica nova.

A Trincadeira não é Assim Tão Preta, Regional Alentejano (21,50€) – Boca com bastante frescura, boa estrutura e textura média. Vinho que deve agradar muito a quem gosta de vinhos com uma arquitectura mais antiga (é isso que tenho na memória), sem madeira e com um açúcar residual (que até pode ser proveniente dos 14% de graduação alcoólica) ligeiramente mais elevado.

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