São carros capazes de fazer uma família feliz com diferentes formatos e, sempre, muito estilo. Assim, entre a nova Volvo V90 D4, a Renault Espace e o LR Discovery Sport qual o melhor para a família: carrinha, monovolume ou SUV?  A resposta segue nas próximas páginas.

No mercado de clientes particulares, e nestes incluímos aquelas micro e pequenas empresas que compram o carro dos patrões e/ou administradores em renting (sim, hoje em dia quase todas as marcas possuem como número mínimo de veículos para frota de empresa um exemplar), é cada vez mais frequente olhar para o budget disponível e escolher entre vários tipos de carroçaria com potências e performances comparáveis. Curiosamente, são os grandes frotistas, por questões derivadas do preço poder ser tão mais negociado quanto maior o número de unidades compradas, que adotam uma atitude mais fechada e convencional, embora também aqui o comportamento esteja a mudar; por exemplo, num concurso recente de uma grande empresa privada os seus quadros podiam escolher entre duas carrinhas, uma berlina, um monovolume e um SUV.

Nestas páginas, a disputa é entre a nova Volvo V90 D4 Inscription com 190 cv para um preço base de 59 539€, a Renault Espace Initiale Paris dCi Twin Turbo 160 cv EDC, cujo preço sem extras desta versão de topo começa nos 54 210€, e o Land Rover Discovery Sport ED4 Manual de 150 cv que, no nível de equipamento Pure (o mais baixo) tem potencial para ser bem mais barato que os seus adversários; o motor de 160 cv biturbo na Espace fica por 45 460€, sempre com a caixa de dupla embraiagem, contra os 43 004€ do Discovery Sport com caixa manual. Mas o importante a reter é que optando pela versão de apenas tração dianteira o cliente abdica das possibilidades de ter sete lugares e caixa automática.

Em concreto, o Discovery Sport fotografado é um Pure quase sem equipamento opcional, mas a unidade considerada é um HSE Luxury com todos os extras necessários (bancos em pele elétricos, tejadilho panorâmico, os faróis em LED ativos, o sistema de infotainment mais avançado da Land Rover com entretenimento nos bancos traseiros e a totalidade das assistências à condução disponíveis, como as câmaras 360º e o estacionamento automático) para o colocar ao nível dos seus muito bem equipados concorrentes, o que eleva o preço final para 73 114€ e inclui já algumas excentricidades como a pintura bicolor (único a permitir esta distinção, sendo que o tejadilho em preto faz o carro muito mais baixo e leve) e o gancho de reboque com rebatimento elétrico.

Outra vantagem desta equivalência de equipamento é que ficam imediatamente evidentes duas coisas: a primeira é que a melhor relação preço/equipamento pertence à Renault Espace, enquanto entre o Land Rover Discovery e a Volvo V90 as coisas estão equilibradas, mas ainda com o sinal mais a pender para o SUV britânico, uma vez que este permite mais luxos por menos dinheiro; como o sistema de entretenimento dos bancos traseiros. Por seu turno, convém ressalvar que os extras da carrinha sueca tendem a ser mais refinados (com destaque para o excelente sistema de som Business Connect Premium Sound e os vidros laterais e traseiros laminados), ou não fosse esta de um segmento superior.

Espaço e conforto

Espaço e conforto são dois atributos fundamentais de um carro familiar, e nenhum dos três dececiona nesses campos. Em concreto, todos possuem um espaço para pernas na segunda fila que supera os 800 mm, com o Discovery Sport e a Espace a somarem a versatilidade extra de esta distância poder ser regulada longitudinalmente e permitir aumentar o espaço para bagagens, isto na configuração de 5 lugares; os do Land Rover regulam 60%/40% e os da Espace individualmente. Depois, a Espace adiciona a vantagem de ter sete lugares, algo que o Discovery Sport também pode ter, mas, para já, os 5+2 lugares só estão disponíveis nas versões 4x4.

Porém, a grande diferença é na qualidade do espaço. Para quem gosta de conduzir lá em cima com uma visão panorâmica do trânsito, o Land Rover e a Renault são imbatíveis, permitindo uma colocação mais fácil do carro na estrada e uma noção mais imediata do espaço que este ocupa, ou, melhor ainda, vai precisar. Isto é particularmente notório em cidade, sobretudo porque a V90 tem uma posição de condução que faz o carro parecer (ainda) mais largo do que é e que leva o condutor a perder facilmente a noção espacial do mesmo; mesmo com as câmaras 360º (opção considerada e… necessária) é o que obriga a mais contas de cabeça para não estragar a pintura.

Em contrapartida, a Volvo V90 tem o habitáculo mais especial, com um desenho pleno de bom gosto e uma qualidade de execução muito elevada, o que é notório na precisão dos botões (o de arranque é fabuloso) e na montagem dos frisos. O acolhimento da Espace, com a sua consola flutuante iluminada, o ecrã de grandes dimensões e os excelentes bancos, também transmite modernidade e sofisticação, mas a verdade é que todas as unidades que por aqui passaram revelaram ser suscetíveis a ruídos parasitas.

Já o Discovery Sport é bastante sólido e isento de ruídos em maus pisos, mas mesmo com os bancos em pele mais caros e o interior em dois tons acaba sempre por parecer mais pesado e antiquado que o dos seus dois adversários, para além de ser o sistema de climatização que mais dificuldade tem em garantir o conforto térmico de todos os ocupantes. E, logo para azar do Land Rover, a Renault e a Volvo são particularmente impressionantes e eficazes neste particular.

Condução e performance

As quatro rodas direcionais melhoram nitidamente todos os carros em que são instaladas, e a Espace com o sistema 4Control confirma esta regra. A manobrabilidade e a agilidade citadinas são fantásticas para um carro tão grande (aliás, seria uma ótima evolução para a Volvo V90), sendo uma revelação sentirmos a traseira a rodar em qualquer cruzamento, movimento que fecha o ângulo de viragem do eixo dianteiro, afasta a roda interior dos lancis de passeio e a carroçaria das esquinas. Depois, apesar de a suspensão traseira ter um “simples” eixo de torção, a combinação das quatro rodas direcionais, com rodas grandes, calçadas por pneus de perfil elevado e amortecimento pilotado, resulta muito confortável em todo o tipo de pisos, enquanto ao selecionarmos o modo de condução mais desportivo somos brindados com uma inesperada capacidade de curvar depressa… e bem; de tal forma que damos por nós a pensar que queremos o 4Control no próximo Mégane RS. A sensação inicial é estranha, pois necessitamos de adotar uma atitude que resulta pouco natural num monovolume familiar de 5 m de comprimento. Seja como for, a Espace é a mais ágil e dinâmica a curvar deste trio, principalmente quando se exigem trocas rápidas de apoio; é verdade que se trata de uma habilidade surpreendente colocada num nível que poucos pais de família vão testar, mas que está lá, está!

E agilidade é precisamente o que falta à V90. O centro de gravidade mais baixo e a maior pegada de borracha em contacto com o asfalto asseguram que se pode curvar depressa, bem como uma estabilidade direcional a toda a prova a alta velocidade, mas não lhe peçam para mudar de direção com muita pressa, sobretudo quando essa necessidade acontece mais de uma vez em rápida sucessão.

Por outro lado, a potência extra e a caixa automática asseguram uma natural vantagem de prestações, que embora seja notória, está longe de ser decisiva; aliás, em termos sensitivos, é mais importante a excelente insonorização do que a resposta ao acelerador para criar a impressão de que anda o mesmo com menos esforço e de forma nitidamente mais refinada. Merece ainda um destaque especial a boa calibração do modo de condução Eco, cujas indicações ainda são mais óbvias de seguir que as do modo Eco da Espace.

Comparativamente a esta serenidade, o Discovery Sport, com um amortecimento mais firme e caixa manual, acrescenta um envolvimento extra para o condutor e, neste contexto, até chega a parecer o desportivo do grupo, até porque, mesmo sendo apenas 4x2, o Land Rover mantém boas aptidões para andar fora de estrada; a nova Espace é alta e tem algumas aptidões Cross Over graças ao controlo de tração “grip control”, mas não é a mesma coisa. Contudo, a maior altura ao solo e a menor aderência dos pneus M+S depressa revelam um limite de tração inferior e obrigam a temperar os ânimos; o chassis tem reações progressivas e equilibradas, mas os limites aparecem mais depressa que nos dois rivais e são, também, inferiores aos das versões 4x4.

Conclusão

Aqui está a prova que, por este dinheiro, o Discovery Sport 4x2 não é apelativo, tendo o seu ponto de equilíbrio na versão SE que, com alguns extras bem escolhidos, fica abaixo dos 50 000€. Por cerca de 70 000€ é melhor ter o carro completo com todas as suas aptidões; isto é, 4x4, caixa automática e sete lugares. Já o motor de 150 cv é a escolha certa.

A Volvo V90 D4 é o melhor carro dos três e um excelente familiar para cinco e, para quem pode, vale a diferença de preço, embora perante um monovolume e um SUV fiquem evidentes as limitações de versatilidade e aventura (nem que seja a mera promessa) do formato carrinha.

Ora, é precisamente no formato e no preço a que está disponível, que a Espace mostra ser a melhor solução para uma família feliz, contando ainda com habilidades inesperadas e um excelente conforto. Os únicos pontos menos positivos são uma certa propensão para ruídos parasitas e alguns detalhes de montagem, aspetos que podem e devem ser melhorados.

Assine Já

Edição nº 1445
Já nas bancas

Digital Papel

Top

Os mais recentes