A Hyundai vê no novo i30 uma janela de oportunidade para marcar posição no segmento mais competitivo da Europa.  Mas os best-seller Renault Mégane 1.5 dCi e Opel Astra 1.6 CDTI não lhe facilitarão a vida.  Será a marca coreana capaz de voltar a superar as expetativas?

A Hyundai fechou 2016 com números recorde de vendas, tanto na Europa como, em especial, no mercado nacional. Com a chegada do novo i30, a marca coreana prevê não só ampliar o sucesso como crescer quase 50% no decurso de 2017. Mais, o desejo assumido pelo gigante coreano, que produz o aço que utiliza nos seus automóveis, os robots que os fabricam e os barcos que os transportam até ao destino, não se fica por aqui. Até 2021 pretende ser a marca asiática mais relevante no velho continente. Será esta ambição desmedida? Parte do sucesso desta estratégia será alicerçada no lançamento de novos modelos ou versões capazes de cobrir uma alargada gama de potenciais clientes. Só no subsegmento dos híbridos, híbridos plug-in e elétricos a marca irá lançar 14 novas propostas até 2020. Mas, na prática, serão modelos mais “convencionais”, como o novo i30, que farão a diferença entre o sucesso ou insucesso de tão ambiciosa pretensão. E nada como avaliar as reais mais-valias do novo pequeno familiar da marca coreana colocando-a perante dois dos mais importantes e melhor-sucedidos representantes do segmento. O Opel Astra 1.6 CDTI tem vencido quase todas as “batalhas” em que se viu envolvido no ringue do Autohoje. Já o Mégane 1.5 dCi é o eterno vencedor nas tabelas de vendas, apoiado por uma agressiva política comercial no mercado de frotas e pelos inegáveis argumentos na economia de aquisição e utilização. E começando exatamente por este ponto, o 1.5 dCi de 110 cv continua a justificar o “porquê” de ser um dos mais utilizados motores Diesel da atualidade. Basta pensar na quantidade de marcas, modelos e versões que o utilizam... Com consumos realmente baixos, prestações muito razoáveis e uma grande linearidade na entrega de potência, o omnipresente 1.5 dCi chega a ser mais agradável de conduzir em ambiente urbano do que o seu irmão mais potente (1.6 dCi de 130 cv). O baixo peso do Mégane (1280 kg) também lhe facilita bastante a vida. No campo oposto, o 1.6 CRDI de 110 cv que equipa o Hyundai é muito refinado (é o que menos ruído e vibrações propaga ao habitáculo), mas parece sempre mais amorfo e, acima de tudo, é mais gastador. E a diferença pode ultrapassar a marca do 1,0 l por cada 100 km. A caixa longa, muito longa, tenta baixar o regime e moderar o apetite ao 1.6 CRDI, mas sem grandes resultados práticos e com o efeito secundário de prejudicar as recuperações. Até o Mégane, com um menor valor de binário (260 Nm contra os 280 Nm do i30) e atingido a um regime mais elevado, consegue suplantar o Hyundai em alguns exercícios. Então e o Opel? Bem, o Astra parece estar num campeonato à parte. Apesar da potência anunciada ser a mesma (110 cv) e de o peso o deixar a meio caminho entre o peso-pluma Mégane e o mais anafado i30, o Astra 1.6 CDTI bate sem apelo nem agravo os dois concorrentes nas prestações. O bom valor de binário (300 Nm), secundado pela bem escalonada caixa manual de seis relações, explica boa parte da superioridade neste item. No dia a dia as mais valias do 1.6 CDTI de 110 cv traduzem-se numa enorme facilidade de utilização, com uma resposta convincente a baixos regimes (só a frio se notam algumas hesitações) e um menor recurso à caixa sempre que pretendemos acelerar ou retomar o ritmo. Curiosamente, essa superioridade dinâmica não se faz pagar nos consumos que continuam muito competitivos, tão competitivos como os do Mégane. Onde o Opel perde pontos é na insonorização, já que, mesmo com o opcional para-brisas acústico (150€) o 1.6 CDTI é uma fonte de ruídos e vibrações no habitáculo. Por falar no interior, o Astra também se superioriza na qualidade geral e na apresentação, que está sempre num patamar superior à dos restantes contendores. O Renault cativa pelo ar tecnológico do interior, muito mais sofisticado do que o i30, enquanto o Hyundai impressiona mais pela escolha de materiais e montagem dos mesmos. Como no desenho exterior, a marca coreana não correu riscos com o interior, recorrendo a soluções provadas e claramente inspiradas em bem-sucedidos concorrentes europeus. Mas mais do que o desenho, o que desilude é o espaço interior, especialmente para as pernas no banco traseiro. Até porque, por exemplo, a bagageira é a maior do trio. Não que a margem seja grande (mais 9 litros do que a do Mégane) ou faça grande diferença na prática. O que pelos vistos a Hyundai “aprendeu” com os melhores concorrentes europeus foi com a calibração de alguns auxiliares de condução, com especial destaque para o controlo de tração e estabilidade que não se mostram demasiado castradores e intervêm de forma muito subtil. O conforto, especialmente com estas jantes de 17” propostas de série no Launch Edition, não se equipara ao do Mégane, por exemplo, mas é melhor do que o do Astra, até porque a Opel equipou esta unidade com umas exageradas jantes de 18”. Ainda assim, o trabalho da suspensão do Astra é meritório, já que nem esta solução “arruína” o pisar do familiar da Opel.

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